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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

#8 - Novas Relações

Como já comentei numa publicação anterior, sofri um grande desgosto amoroso no ano passado. Abalou-me durante uns meses, mas fez-me crescer e perceber que merecia melhor.

Durante essa antiga relação, que durou muitos anos, houveram momentos bons, como é óbvio, mas os maus deveriam ter sido suficientes para me afastar mais cedo. Não o fiz, aguentei uma relação onde fui traída, mais que uma vez, por achar que não merecia melhor. Acreditava, piamente, que nunca encontraria mais ninguém que gostasse de mim pelo meu aspecto. Como era possível que alguém pudesse amar esta pele quando eu própria não a amava? 

Isto pode parecer uma espécie de vitimização, mas não é o caso. A minha mente estava tão poluída com pensamentos negativos, tão tóxica ao ponto de acreditar que eu não tinha valor algum. Sempre fui uma pessoa fechada ao nível sentimental. Não consigo expressar estes sentimentos verbalmente e se calhar fui nisso que falhei. Não havia comunicação suficiente nessa antiga relação. 

Odeio falhar. Fico envergonhada, mesmo quando sei que tentei e não desisti, mas foi preciso esse grande falhanço para me transformar. Se não tivesse caído, jamais me teria erguido na mulher que sou hoje. Senti o meu coração se partir em bocadinhos quando ele me disse que havia outra pessoa, mas pensando bem, foi a melhor coisa que ele me podia ter feito. Se ele não me tivesse contado, provavelmente ainda estaria nesta relação sem futuro. 

Vim para Guernsey focada em melhorar a minha vida profissional e financeira. Nem queria pensar em outra coisa. Namorar estava completamente fora de questão. 

Aqui conheci aquele que se tornou o meu melhor amigo. Polaco e lindo de morrer. Desde o primeiro dia que tínhamos uma química excelente, mas ele tinha as suas "namoradas" e eu recusava-me a me apaixonar. Assim foi durante meses, tinha o meu companheiro sempre a meu lado. Fomos a todo o lado juntos, foi um verão inesquecível. Quantas vezes estivemos na praia, ele viu a minha pele e nunca me julgou. Apenas perguntou o que era. Não sabia, mas aos poucos eu estava a gostar cada vez mais dele. 

Há quase dois meses, ele perguntou-me se queria namorar com ele e eu aceitei, porque sei que com ele, se não tentasse, ia me arrepender.

Imagem retirada de Pinterest.com

sexta-feira, 8 de abril de 2016

#4 - Relações

Quando um namorado me disse “que horror, isso pega?” com o ar mais enojado de sempre, fiquei ligeiramente traumatizada para a vida amorosa. Foi uma das situações em que me deixei ficar, pois achava que era o que eu realmente merecia.

A vida amorosa não é fácil quando se tem psoríase, pelo menos no meu caso.
Quando comecei a namorar, facilitava demais. Deixava que me pisassem e faziam o que lhes bem apetecia, pois, o meu medo de ser rejeitada ou abandonada era maior que a minha vontade própria.
Depois apercebi-me que eles não ficavam na minha vida, mesmo que eu só os tentasse agradar. Nunca me chateava, tinha sempre um sorriso e era demasiado permissiva. Mesmo assim não era suficiente. Então o muro que construí continuava a crescer, a ficar cada vez mais alto.

Foi necessário um grande desgosto amoroso para começar a viver novamente. Viajei sozinha pela primeira vez. Descobri que era capaz e que era corajosa. Aprendi a aceitar, um bocadinho mais, a minha pele. Olhei para um espelho, sem roupa e pela primeira vez na vida, não me senti envergonhada, nem culpada. Até senti um certo orgulho nas minhas marcas. Não as adoro, ainda não me sinto bonita, mas sei que estou no caminho certo. Só aos 29 anos é que percebi que nada está perdido; ainda vou a tempo de construir uma boa vida, sem mágoas.


O muro continua erguido. Sou desconfiada, não só nas relações, mas em todas as situações da vida. Não acredito que algo bom me aconteça ou que alguém seja gentil comigo, só porque sim. Acho sempre que é mentira quando me dizem que sou bonita, penso que estão apenas a tentar ser simpáticos ou que têm pena de mim. No fundo, ainda sou aquela menina assustada que tapava os braços no verão.

Imagem retirada de Pinterest